Quem não se lembra da série de games SimCity, sucesso dos anos 90 no qual o jogador tinha a missão de construir e administrar cidades? A simulação até que era bem real, com ruas, casas, prédios, estádios, hospitais, praças, postos de gasolina e tudo mais que pode ser encontrado por aí. Apesar dos tornados, engarrafamentos, protestos e até da presença de discos voadores, lembro bem da sensação: jogar SimCity era como ter a possibilidade de criar uma cidade perfeita.

No mundo real, foi preciso ir até o outro lado do mundo para conhecer a cidade que mais se aproxima do que se pode chamar de cidade perfeita. Fica no sul da Austrália, mais precisamente no estado de Vitória e atende pelo nome de Melbourne.

Melbourne

Planejamento Urbano

Quem hoje anda pelas ruas do centro de Melbourne demora para acreditar que há alguns anos a cidade sofria com baixa densidade populacional e com um planejamento urbano que privilegiava apenas os automóvel. Sabe aquela sensação horrível de lugar acelerado, regido pelos carros e não pelas pessoas?

No final do século XX, medidas audaciosas mudaram o panorama da cidade: o centro passou a ter restrição de carros, o metrô se expandiu e as ciclovias ganharam seu espaço, uma evolução mais do que óbvia num lugar com ruas planas. Além disso, o aumento no número de parques, praças e outras áreas de convívio ao ar livre atraíram estudantes universitários, profissionais de diversos setores e milhares de estrangeiros (muitos chineses, por exemplo).

Transporte público

Não importa onde se quer ir, em Melbourne o transporte público é digno de nota máxima. Tanto que é visto como referência para o restante da Austrália, sendo absurdamente fácil de se utilizar.

Basicamente, são três tipos de transporte: além dos tradicionais (e vazios) ônibus, você pode usar trem e bondinho, conhecido por lá como tram. Com os trens, é possível ir do centro aos bairros mais periféricos, com estações mais simples e mais distantes umas das outras. Talvez aí esteja a principal diferença para o tram, que também percorre distâncias grandes, mas parando em mais estações.

Agora, o mais legal é que o centro de Melbourne possui uma zona de uso livre dos bondinhos. São algumas estações na região central da cidade que permite a entrada e a saída de passageiros sem a necessidade de pagar passagem, que é sempre feita com cartão-passe (conhecido como Myki). É como o bilhete único de São Paulo, integrando todos os meios de transporte público.

E como se essa super vantagem não fosse o suficiente, quem está de passagem pela cidade ainda tem a chance de percorrer o centro em um velho bonde turístico. Também grátis, ele é realmente um modelo antigo que, ao longo do percurso, vai informando os passageiros sobre alguns pontos de interesse da cidade.

Melbourne

Cultura e lazer

Em Melbourne, onde quer que se vá, o que não falta são opções de lazer, diversão e cultura. Não por acaso, os turistas estão por todos os lados, dia e noite, aproveitando os parques, as praças, praias e outros espaços ao ar livre, principalmente no centro e nas margens do Rio Yarra.

Alguns dos lugares que eu mais gostei em Melbourne foram o cinema IMAX da cidade (um dos maiores do mundo) e a Biblioteca do Estado de Victoria, imponente, com bela arquitetura e milhares de livros acessíveis a qualquer um que valoriza cultura e leitura.

O Central Business District, apelidado carinhosamente nas ruas de CBD, é a principal região da cidade, concentrando algumas das principais atrações turísticas da cidade. Gosta de mercados? Visite o centenário Queen Victoria Market, um lugar vibrante cheio de cores, aromas e sabores. Para quem prefere a arte de rua, vale passar pelas vielas do CBD. A mais famosa delas se chama Hosier Lane, exclusiva para pedestres, com o colorido inconfundível dos grafites.

Melbourne

Na Federation Square é onde todo mundo se encontra. Essa área pública, com museus, restaurante e espaços de eventos, foi construída sobre os trilhos da cidade. Com arquitetura moderna, chama a atenção por seus prédios com formas impressionantes. É lá também que está o centro de apoio aos turistas, uma área subterrânea que mostra um pouco da história da cidade e que traz informações sobre qualquer tipo de passeio ou evento em Melbourne e nos arredores. Ali perto, além dos cassinos, estão o Centro de Arte de Melbourne e a incrível Galeria Nacional de Victoria.

Mais ao sul, os amantes da natureza vão se encantar com o Jardim Botânico, o Albert Park (onde acontece o Grande Prêmio de Fórmula 1) e a Baía de Port Phillip, que traz atrações para todos os gostos. Talvez as principais são: o charmoso Luna Park, as mundialmente famosas casinhas coloridas de Brighton Beach e os simpáticos pinguins que aparecem no pier de St. Kilda todo final de tarde.

Melbourne

Segurança

Recentemente, Melbourne foi eleita uma das dez cidades mais seguras do mundo. Segurança é um quesito, de certa forma, complicado de se medir. Em São Paulo, nunca me senti totalmente inseguro, mas claro sempre evitei frequentar o centro da cidade à noite ou outros bairros sozinho no mesmo horário. Na minha volta ao mundo, bastaram um ou dois dias para me sentir tranquilo em qualquer uma das cidades que conheci. Claro, sempre com muita atenção.

Em Melbourne não foi diferente. Tive a chance de caminhar sozinho pela cidade, em diversos horários e carregando a câmera fotográfica no pescoço. Em nenhum momento fui abordado por estranhos ou me senti com medo. Acho que o principal motivo para essa sensação de tranquilidade se deve ao fato da cidade sempre acolher bem as pessoas que gostam de estar na rua, turistando, frequentando um café ou apenas indo de um lugar para o outro. De fato, é sempre melhor ter a companhia de outras pessoas (mesmo desconhecidas) quando se quer evitar qualquer problema.

Melbourne

Comunidade multicultural

Agora, o que faz Melbourne ser uma cidade tão legal é a sua comunidade multicultural. Lá você encontra gente do mundo todo. Os próprios australianos têm muito a oferecer. Em poucos dias na cidade percebi, por exemplo, o quanto eles gostam de aproveitar a vida. Não por acaso eles adoram um happy hour. Outros que se destacam são os chineses. Melbourne, inclusive, tem a sua própria Chinatown, onde os chineses mostram o valor do seu trabalho, da sua cultura e culinária típica.

Enfim, existem muito mais sobre Melbourne que merece até outros posts: clima com temperaturas agradáveis durante quase todo o ano; qualidade de vida absurdamente alta e um estilo de vida urbano que se tornou uma virtude do sul australiano e exemplo para o mundo, com tudo o que se pode esperar de bom de uma cidade perfeita.