Você gosta de pedalar? Na minha opinião, é uma das melhores formas de se conhecer um lugar novo, ver de perto o melhor que uma cidade pode oferecer aos seus moradores e visitantes e ainda praticar um ótimo exercício físico.

Todos os anos, a Copenhagenize Design Company, uma consultoria especializada em promover o uso das bikes, cria um ranking das melhores cidades do mundo para pedalar, analisando a infraestrutura das ruas, a segurança para os ciclistas e também qual é a aceitação social e política deste meio de locomoção.

Em 2015 são 122 cidades na lista. Como eles mesmos defendem:

“A bicicleta faz sentido na cidade. O investimento em infra-estrutura para bikes é um movimento moderno e inteligente que qualquer lugar pode fazer. Pesquisas realizadas em Copenhagen mostram os benefícios econômicos, ambientais, sociais e de saúde do ciclismo urbano. Cada quilômetro pedalado traz um lucro líquido de 23 centavos para a sociedade, enquanto que para cada quilômetro percorrido de carro, sofremos uma perda líquida de 16 centavos.”

Inspirado pelo ranking, que você pode conhecer clicando aqui, resolvi criar uma lista própria de cidades incríveis para utilizar a magrela. Restringi minhas escolhas ao velho continente, onde fiquei mais tempo durante a viagem de volta ao mundo e onde tive a chance de realmente conhecer como funciona para os ciclistas cada um deste lugares.

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Copenhagen

Quem hoje visita a capital da Dinamarca acha impossível imaginar que, há 40 anos, o trânsito na cidade era tão ruim quanto de qualquer metrópole.

Mas as coisas mudaram por lá. Anos de investimento em infraestrutura viária trouxeram resultados incríveis: mais da metade da população de Copenhagen faz deslocamentos diários de bicicleta e hoje, no centro da cidade, existem mais bicicletas do que pessoas. Por lá, pedala-se para ir à escola, ao trabalho, à padaria perto de casa e até mesmo para sair à noite e se divertir.

Em duas semanas na cidade pude perceber como os ciclistas são respeitados e privilegiados. As zonas livres de carros se estendem por vários bairros. São mais de 400 quilômetros de ciclovias, inclusive uma das mais movimentadas da Europa: 40 mil passagens de bikes por dia.

Mesmo quem não possui uma magrela pode utilizar o aluguel para passear. O Bycyklen é o serviço oficial de compartilhamento de bicicletas da cidade. São 87 estações e 1.860 bikes disponíveis por toda Copenhagen.

Mas o melhor é que não é qualquer bike. A “The Bycykel”, como eles chamam, além de ser elétrica, possui um grande diferencial: vem com um tablet no guidão que mostra o mapa das ruas de Copenhagen, com atrações turísticas e indicação de onde estão as estações. Além disso, o usuário pode pré-definir um roteiro pelo site e carregar na tela na hora de usar, servindo como GPS.

Amsterdam

Quando se fala em Amsterdam, é difícil não pensar nos canais, no estilo de vida bem liberal de seus moradores e, lógico, nas bicicletas. É definitivamente a cidade das magrelas.

Há muitos anos a capital holandesa oferece excelentes condições para os ciclistas: ruas planas e calmas, ciclofaixas e estacionamentos exclusivos para bicicletas fazem parte do cenário bucólico da cidade.

É o meio de transporte mais utilizado, principalmente nas ruas mais estreitas e ao longo dos canais. Não é difícil ver moradores pedalando para ir para o trabalhando, vestindo roupas sociais ou até carregando crianças em bikes de carga.

Com tantas ruas adaptadas, corredores compartilhados, muitos postos de aluguel e até sinais especiais para as bikes, a atmosfera para os ciclistas pode ser considerada descontraída, agradável e, principalmente, segura.

O único porém é que, como são milhares de bikes, o ciclista precisa estar sempre bem atento e esperto. Os mais experientes geralmente trafegam com velocidade e sem muita paciência para quem quer apenas passear e aproveitar a cidade.

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Barcelona

Como se Barcelona já não possuísse razões suficientes para se apaixonar pela cidade, resolveram torná-la uma amigável e excelente opção para quem gosta de pedalar.

Atualmente, são mais de 200 km de ciclovias e condições geográficas privilegiadas para quem gosta de subir em um bike, já que praticamente quase toda a cidade é plana.

Além de uma ciclovia conhecida como “anel verde”, que rodeia toda a área metropolitana da cidade, existem mais de 3 mil vagas de estacionamento para bicicletas na rua e em garagens subterrâneas.

Por lá, os catalães também possuem um sistema de compartilhamento de bicicletas, o Bicing. O ponto negativo é que apenas moradores da cidade podem utilizá-lo. O programa foi lançado em 2007 e já disponibiliza mais de uma centena de pontos espalhados pela capital catalã.

Mesmo assim, não faltam opções de aluguel de bikes para os visitantes. Quando visitei Barcelona, no próprio hostel onde me hospedei aluguei uma bike por € 8. Em um dia percorri mais de 10 quilômetros pelas ciclovias da cidade, sem ser importunado por carros.

Algumas dicas de roteiro? Não perca a oportunidade de pedalar pelos bairros Eixample e El Born, pelos parques da cidade e na orla, desde o Parc del Fòrum até La Barceloneta.

Berlim

Quando se pensa em bicicleta, a grande vantagem da capital alemã é a sua topografia. Berlim é plana, o que torna os deslocamentos menos penosos e não faz o ciclista suar tanto em cima das duas rodas, mesmo no verão.

Outro ponto positivo é a segurança. A cidade é uma das mais seguras das grandes metrópoles europeias, possibilitando pedalar em qualquer horário de dia ou à noite.

Hoje, a participação das magrelas nos deslocamentos da população chega a 13%, um número até certo ponto impressionante para uma cidade tão grande como Berlim. Em alguns bairros, a participação sobe para 20 e até 25%, diz o relatório da Copenhagenize.

Em toda a Alemanha, são impressionantes 35 mil quilômetros de ciclovia. Só em Berlim, mais de 700 km interligando diversos pontos de interesse de turistas e moradores.

Quer ver de perto partes do Muro de Berlim, por exemplo? Um circuito de 160 quilômetros passa por diferentes áreas nas quais ainda restam fragmentos históricos da atração.

Londres

Das cinco cidades que escolhi para este post, Londres é a única onde não pedalei. Foram poucos dias na cidade, mas mesmo assim suficientes para perceber como a capital britânica hoje está preparada para o ciclista. Todos os dias aproximadamente 170 mil pessoas trafegam de bicicleta por lá.

Desde 2010 funciona na cidade o sistema Barclay’s Cycle Hire, chamado carinhosamente de Boris Bikes por ter sido implementado pelo prefeito Boris Johnson.

São centenas de estações e milhares de bikes disponíveis. Fácil de usar, o usuário precisa apenas de um cartão de crédito, sem necessidade de fazer cadastro. Basta utilizar o computador disponível em cada estação para liberar uma das bikes. E o melhor: os primeiros 30 minutos de passeio são grátis.

Pelas ciclovias de Londres é possível visitar diversos pontos turísticos mundialmente famosos: Hyde Park, Big Ben, Tower Bridge e o Palácio de Buckingham.