Londres é definitivamente uma cidade estranha. Se você vem de qualquer outro lugar bem distante do Meridiano de Greenwich e não está nada acostumado com o jeito londrino de ser, pode ter certeza: vai estranhar a peculiar capital inglesa.

E vai estranhar da forma mais positiva e surpreendente possível, ao ter a chance de conhecer melhor seus moradores, os principais pontos turísticos ou simplesmente andando pelas ruas, em qualquer bairro da histórica cidade fundada há quase dois mil anos por antigos romanos.

Uma aula de história a céu aberto

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Primeiro, você vai ter a estranha sensação de ter voltado no tempo. Andar por Londres é como se teletransportar para o passado ou simplesmente ter a melhor aula de história ao vivo. Tente, por exemplo, visitar a Torre de Londres e não se sentir na Idade Média ao se deparar com os imponentes muros da fortificação fundada em 1078.

Talvez a principal referência do conceito de monarquia em todo o mundo, Londres sabe perfeitamente como preservar sua história e tradições. Um conhecido exemplo é a Troca da Guarda, cerimônia que acontece diariamente no Palácio de Buckingham, quando um novo batalhão de infantaria passar a vigiar os aposentos da rainha Elisabeth II, monarca do Reino Unido.

Apesar de hoje ter apenas um valor simbólico e cultural, o desfile segue o mesmo ritual desde 1660, quando os soldados britânicos passaram a “guardar” a família real. A atração começa pontualmente às 11h30, e por aproximadamente 45 minutos os soldados exibem aos turistas seu impecável uniforme, com túnica vermelha e gorro alto preto de pele de urso.

Tempo agradável, Londres 40 graus

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Depois de ouvir e ler em qualquer lugar que em Londres só chove e faz frio, você vai estranhar ao se deparar com um mais do que recorrente céu claro, muito sol e temperaturas altas de fazer inveja em muitas cidades litorâneas. O verão londrino por até trazer um vento um pouco mais gelado nas primeiras horas da manhã, mas pode ter certeza que o resto do dia vai ser de praia, ou melhor, prazerosos passeios pelas margens do rio Tâmisa ou pelos inúmeros parques espalhados pela cidade, como o Hyde Park, o Kensington Gardens ou o Hampstead Heath Park.

Vai ter chuva sim, mas breve e inofensiva. Só para, em seguida, deixar a cidade ainda mais agradável para seus moradores e visitantes. Céu cinza? Se você enxergar algo parecido, pode ainda aproveitar para fazer belas fotografias enquadrando o Big Ben ou a Tower Bridge.

Mão inglesa, cadê o motorista?

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Sim, você até vai desembarcar em Londres já mais do que precavido de que aqui o trânsito funciona com a famosa “mão inglesa”: veículos possuem volante no lado direito e trafegam pela esquerda na via. Porém, você certamente irá estranhar que, por mais avisos de que se deve olhar para a direita em um cruzamento, é impossível evitar olhar para os dois lados, “só para ter certeza”.

Desista, é ao mesmo tempo automático e inevitável. Até porque, em ruas de mão dupla, também existem avisos para se olhar para a esquerda, logo após se atravessar a primeira pista. E se não fosse o bastante, tem a sensação totalmente estranha de ser olhar para dentro do veículo e se perguntar: onde foi parar o motorista?

Não é só a pontualidade londrina que funciona

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Em Londres, você vai estranhar como tudo parece funcionar tão perfeitamente bem. Pode até ser impressão de turista deslumbrado, mas aqui não há espaço para contratempos. Os belos exemplos vão do sistema de transporte público aos passeios mais turísticos. Apesar de ser a cidade mais visitada no mundo – hoje mais do que Paris – a capital inglesa é um péssimo lugar se você quer encontrar filas, por exemplo. Se o museu abre apenas às 10 horas, pode até ser que alguns turistas apareçam na porta um pouco antes para guardar lugar. Só que não existe essa necessidade, todos irão entrar sem muita demora, qualquer muvuca ou aborrecimento.

Tirando em algumas atrações mais conhecidas, como o Big Ben, em Londres dificilmente você verá grandes aglomerações de pessoas, centenas de máquinas fotográficas ou guias turísticos. Assim como raramente terá o “privilégio” de entrar num vagão lotado do Tube, o metrô londrino. São tantas linhas, estações e trens disponíveis, que mesmo em uma cidade tão visitada, todos conseguem se locomover sem se sentir uma sardinha enlatada. Até porque, se você não for muito fã do maior sistema de metrô do mundo (com aproximadamente 400 km), pode aproveitar o passeio de diversas outras formas, como em um dos tradicionais ônibus vermelhos ou alugando uma Boris Bike.

Clima de interior na metrópole de 8 milhões de habitantes

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Você vai estranhar (e vai certamente adorar) como Londres, apesar de ser uma metrópole com mais de 8 milhões de habitantes, preserva em vários bairros um curioso jeito de cidade de interior, com centenas de ruas tranquilas, prédios baixos e casas em estilo antigo, além de uma predileção bastante elogiável por silêncio e discrição. No metrô as pessoas falam em baixo tom de voz. Não há celular tocando música no alto-falante. No trânsito, buzinar pode até ser considerado uma excessão do dia a dia. E em muitas ruazinhas, é possível passar bons minutos sem ouvir qualquer som dos carros.

Por isso e por outros vários motivos, Londres é a cidade de todos os povos, todos os transportes, todas as idades e meios de se viver, onde você vai certamente se estranhar. Mas da forma mais saborosa possível e como em nenhum outro lugar!