Existem situações na vida que só realmente entendemos quando passamos por elas. Não adianta ler em um post do Facebook ou ouvir de um amigo, viajar por vários meses e para diferentes lugares pode proporcionar as mais diversas experiências, aprendizados e habilidades que você nunca imaginou conquistar.

Depois de dois meses longe de casa, conhecendo dezenas de cidades em sete países, já consigo entender melhor como é a rotina de quem decide passar um tempo longo no exterior, seja turistando, estudando, trabalhando ou apenas vivendo como as pessoas locais.

Em pouco tempo, seguramente já tive incontáveis momentos inesquecíveis e enriquecedores, que me mostraram como é a realidade de se viajar por um longo prazo.

Separei cinco verdades que ninguém te conta sobre como é ficar tanto tempo na estrada.

Prepare-se para viver por inteiro

Quando decidi deixar o meu emprego para viajar por um tempo maior do que os tradicionais 30 dias, eu simplesmente não imaginava como tudo seria tão intenso. Ter a chance de passar mais do que alguns poucos dias em lugares tão distintos trouxe a oportunidade de realmente conhecer mais da cultura local e não ser apenas um turista na multidão.

É uma sensação libertadora: desembarcar em um novo destino sabendo que você não vai embora em 24 ou 48 horas permite aproveitar cada dia de uma vez, sem correria para conhecer todos os pontos turísiticos e mais interessantes do lugar.

Ao mesmo tempo, você tem a maravilhosa chance de se sentir um pouco mais parte do local, correndo o risco até de se tornar um rosto conhecido para aquela pessoa da feira de frutas ou do café na esquina.

Viva o minimalismo saudável

Tente fazer a sua bagagem para viajar leve por um ano e entenderá como funciona o estilo de vida de um minimalista. Uma mala para se viajar o mundo definitivamente não precisa ser maior do que quando se está apenas de férias. Nesta viagem, posso dizer que uma das minhas mais felizes decisões foi embarcar com apenas uma mochila nas costas.

Independentemente do próximo destino, levo comigo apenas as roupas suficientes para uma semana, itens de higiene pessoal (escova de dente, fio-dental..), um tênis, computador, câmera fotográfica e outros objetos pequenos, como carregadores, celular, cadeado e fone de ouvido. Nas mãos, o passaporte e uma jaqueta para o frio.

Ao reduzir minha bagagem evito a necessidade de despachá-la nos voos, consigo saber exatamente onde está cada item e não me preocupo tanto em perdê-los.

Assim, minha atenção está a todo momento voltada para o que realmente importa: viver cada experiência por completo e conhecer mais da cultura de cada um dos lugares visitados. De bônus, a certeza de que precisamos de menos bens materiais para aproveitar melhor o que cada dia novo pode proporcionar.

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Sem fugir das responsabilidades

Mesmo assim, numa viagem de longo prazo as responsabilidades não deixam de existir. Se antes você precisava se preocupar em manter uma casa, um trabalho com endereço fixo e uma rotina de segunda a sexta, agora sua cabeça está ocupada pensando em como gastar o dinheiro de forma inteligente, como se locomover dentro da cidade ou entre elas, onde se hospedar, o que visitar, como se manter em segurança e ainda como fazer tudo isso funcionar de forma perfeita.

Viajar por um longo prazo exige um planejamento meticuloso, principalmente na primeira vez. A responsabilidade de fazer tudo acontecer é capaz de criar no viajante muito senso de tomada de decisões e criatividade.

A vida não é uma festa

Muitos talvez imaginam que viajar por um longo período é como estar de férias eternas. Para alguns pode até ser, mas quando você se hospeda em hostels (ou em outros locais com diárias mais em conta) e tem um orçamento definido para gastar em toda a viagem, dificilmente será possível viver de festas e passeios todos os dias.

Ainda mais quando você decide que vai contar suas experiências de viagem em um blog ou nas redes sociais. Ter o compromisso de escrever e criar conteúdo interessante que mostre os lugares visitados exige disciplina e momentos não tão glamurosos.

Tive que aprender e criar uma rotina que me permitisse separar os momentos de passeios, para visitar as principais atrações de cada cidade, e de me concentrar na edição dos textos e das fotografias do site. Por outro lado, a experiência tem me ensinado muito sobre quais são as minhas prioridades e sobre produtividade.

Você vai sentir saudades

Mesmo sabendo que uma viagem de longo prazo é exatamente o que você deve fazer, vai ser difícil não sentir falta dos amigos, da família e das situações rotineiras deixadas para trás. Estar sozinho em um lugar desconhecido pode ser um problema se você não for do tipo que se adapta rápido em qualquer mudança.

É claro que você encontrará pessoas de vários lugares do mundo, outros viajantes na mesma situação, e ainda poderá fazer amizades verdadeiras, mas para isso acontecer é preciso criar uma interação, muitas vezes em outro idioma, o que não é fácil.

Diversas vezes, certamente você apenas vai sentir falta de como as coisas eram antes de iniciar a viagem, do seu cachorro, do sofá e até do trajeto entre sua casa e o trabalho. Principalmente quando começar a sentir as diferenças culturais, o jeito um pouco mais ríspido das pessoas locais ou a dificuldade em se fazer entender nos momentos mais corriqueiros.

Toda mudança assusta e nos faz automaticamente pensar no que já conhecemos, ou seja, na zona de conforto. Acho que é neste momento que devemos nos concentrar no aprendizado que aquela mudança vai provocar e como você se torna alguém melhor depois de vivenciar novas experiências.

Então, nos momentos de saudade, o melhor a fazer é lembrar que o tempo não para, que não vale a pena viver o presente pensando no passado e se concentrar pra valer no que o futuro nos reserva. Se dois meses de viagem já me proporcionaram tanto, só fico imaginando o que ainda terei pela frente.