É mais um ensolarado dia de semana. Pessoas seguem calmas – caminhando ou de bike – para o trabalho, outras curtem a praia ou um café numa calçada. Enquanto isso, mais uma daqueles curiosas “estátuas vivas” tenta a sorte próximo ao metrô, na Praça da Catalunya. As ruas obviamente estão tomadas por turistas, mas poucos ali prestam devida atenção no artista e em sua fantasia ao mesmo tempo extravagante e surrealista, tal como a própria cidade de Barcelona.

A capital catalã sempre foi mesmo berço de intensa inspiração artística, praticamente um ateliê a céu aberto para quem vive da própria arte. Grandes exemplos não faltam: Pablo Picasso, Joan Miró, Salvador Dalí e, porque não, Antoni Gaudí, que espalhou por toda a cidade suas mais belas e incríveis obras arquitetônicas.

Com dois milênios de muita história, mas ao mesmo tempo extremamente moderna, Barcelona é uma cidade de contrastes. É relativamente pequena (pouco mais de 1,6 milhão de habitantes), mas tem jeitão de metrópole europeia. Pode ser considerada cosmopolita, mas ainda assim preserva com orgulho suas profundas raízes catalãs. Possui grandes e largas avenidas, mas também bairros com pequenas vielas, onde nem passa carro ou luz solar.

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Se apaixonar perdidamente por Barcelona, no entanto, não tem meio-termo, resistência ou oposição. É unanimidade até para os corações mais gelados! Seus encantos já pegaram de jeito brasileiros, argentinos, portugueses, suíços, alemães, turcos e gente de várias outras partes do mundo que escolheram Barna para viver.

Quem visita a cidade, porém, não faz ideia de que nem sempre foi assim. Não faz muito tempo, em 1992 os Jogos Olímpicos aportaram na cidade mediterrânea e a tiraram de um longo e profundo marasmo. De mero ponto de passagem para Ibiza, Barcelona se transformou em um enorme sucesso mundial.

O maior evento esportivo do mundo foi capaz de provocar uma reação em cadeia na cidade. Ruas decadentes, avenidas barulhentas e um clima até desbotado de zona portuária deram lugar ao que vemos hoje por toda Barcelona, do Monjuic até Santi Marti: uma infinidade de hotéis elegantes, restaurantes premiados, lojas de grife, ruas arborizadas, cafés aconchegantes e o orgulho (mais do que justificado) de seus habitantes espalhado pelas janelas em forma da bandeira. Vermelha e amarela representando a região da Catalunha.

Com tanto para elogiar, é até complicado identificar em qual campo Barcelona é mais fértil. Talvez na arquitetura, do já citado Gaudí e de muitos outros arquitetos famosos. Ou então, na cultura, no lazer, nos negócios, no futebol? O que dizer da invejável qualidade de vida de seus moradores e da saborosa gastronomia?

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Melhor nem tentar adivinhar o segredo do paraíso catalão. Mais sábil mesmo é visitar a cidade sempre que puder, conhecê-la com os próprios olhos, e de preferência, a pé. Todos os tesouros de Barcelona deveriam ser vistos e admirados da rua: a imponente e bela Sagrada Família, o simétrico Recinto Modernista de Sant Pau, a incomparável Casa Batlló, a surreal La Pedrera, a comprida Las Ramblas e o colorido mercado de La Boqueria, entre outros. Sem falar no charme dos diferentes bairros, como El Raval, Gòtic, Gràcia, Eixample e El Born.

A lista é muito maior do que proponho aqui, o que sempre deixa aquela sensação de “só voltando várias vezes para conhecer tudo o que há de encantador em Barcelona”.

Você já teve o privilégio de conhecê-la? O que mais gosta por lá?

Uma última pergunta: Como não se apaixonar por Barcelona?