Reza a lenda que, no ano de 1219, durante uma antiga e penosa batalha contra os estonianos, o rei dinamarquês Valdermar II Sejr estava prestes a ser derrotado pelos pagãos quando aconteceu um grande milagre: enquanto todos suplicavam por ajuda divina, subitamente o céu se abriu e entre os raios solares desceu uma imensa bandeira vermelha com uma cruz branca desenhada ao centro. O “milagre”, visto como um sinal de força, imediatamente renovou as esperanças dos dinamarqueses, que venceram o confronto conhecido como Batalha de Lyndanisse.

A história popular é uma das utilizadas até hoje para explicar a origem da Dannebrog, a bandeira da Dinamarca, considerada a mais antiga do mundo.

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Verdade ou ficção, o fato é que os dinamarqueses realmente amam a bandeira nacional. É fácil perceber isso. Nas ruas, elas estão por todas as partes: nos prédios públicos, nos hotéis, na porta das casas, no comércio, nos carros e até nas milhares de bicicletas que ocupam as ruas das principais cidades.

Em aniversários e outras celebrações, as bandeirinhas ganham quase o mesmo destaque que o festejado. Estão no bolo, nos guardanapos, nos pratos e copos descartáveis, em toda a decoração. Até do lado de fora das casas elas são colocadas para avisar aos vizinhos sobre a comemoração.

Os dinamarqueses levam a bandeira tão a sério que existe uma lei que diz: se você possui um mastro em casa, a única bandeira que você pode hastear é a Dannebrog. Nada relacionado ao seu clube de futebol, partido político ou, quem sabe, uma menção aos piratas ou aos antigos vikings do país.

A forte relação afetiva com a bandeira rende até uma grande festa popular no país escandinavo, todo dia 15 de junho (dia em que a bandeira foi enviada dos céus), desde 1912. Não tive a chance de visitar a Dinamarca nesta época, mas é fácil entender porque a Dannebrog pertence a cada dinamarquês.

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O orgulho deste símbolo nacional tão importante tem muito a ver com a felicidade da população. É muito mais do que um ícone de patriotismo, representa o amor genuíno à pátria e a felicidade de seus habitantes.

A Dinamarca está nas primeiras posições do ranking da Nações Unidas dos países mais felizes do mundo (o Brasil é o 16º), e mesmo que seja um índice complicado de medir, pelo menos aqui eles levam bastante a sério. Até criaram o Instituto da Felicidade, para tentar descobrir o que faz alguém realmente feliz.

Em apenas uma semana conhecendo a Dinamarca já dá para ter uma boa noção e tentar arriscar algumas explicações. Para os dinamarqueses, felicidade tem muito a ver com cidadania, respeito, dignidade, confiança nas pessoas e nas instituições, além de uma crença inabalável de que todo mundo tem condições de melhorar a própria vida.

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Para descontrair, arrisco dizer que tem muito a ver também com as delícias da cozinha dinamarquesa. Impossível não se sentir extremamente feliz depois de saborear pratos bem típicos como o smørrebrød e frikadeller.