Há exatos 54 anos, no dia 13 de agosto de 1961, a Alemanha começava a viver um dos períodos mais obscuros de sua história. Na madrugada daquele dia, milhares de guardas da Alemanha Oriental iniciaram o trabalho da construção do Muro de Berlim, isolando com arames farpados, postos de controle e concreto os lados oriental e ocidental da cidade.

Simplesmente da noite para o dia, em poucas horas, milhões de pessoas tiveram o seu direito de ir e vir revogado. Famílias foram surpreendidas e divididas, muitos tiveram que decidir em pouco tempo de que lado ficar.

Todas as conexões de trânsito foram interrompidas pelo regime oriental, apoiado por forças soviéticas preparadas à luta. Linhas de trem forma bloqueadas e até alguns prédios, igrejas e cemitérios tiveram que ser fechados por se localizarem na fronteira. Um destes locais, curiosamente chamado de Igreja da Reconciliação, ficava exatamente no corredor da morte e foi destruída em 1985, apenas quatro anos antes da queda do Muro de Berlim.

Muro de Berlim

Quem visita a capital alemã 25 anos após a reunificação quer ver pelo menos uma das partes ainda preservadas do que se tornou o maior símbolo da chamada Guerra Fria, que polarizou o mundo entre Estados Unidos e União Soviética. É o principal ponto turístico de Berlim, assim como o Portão de Brandemburgo e a Alexanderplatz.

Por se tratar de um fato relativamente recente, estar diante de um dos pedaços ainda em pé do Muro de Berlim se torna uma experiência talvez até mais profunda e significativa, se compararmos com visitas à outros lugares de muita história, porém mais antigos, como o Coliseu de Roma, as Pirâmides do Egito ou qualquer castelo medieval europeu.

Mesmo hoje se tratando de uma atração turística, é quase impossível não imaginar as histórias que surgiram nos 28 anos de existência da barreira, como era a vida de quem cresceu aprisionado diante do regime socialista, o que pensavam as pessoas mais velhas que passaram a viver sob vigília de soldados e suas armas. Dos dois lados da fronteira de 43 quilômetros no meio da cidade, além de 302 torres, 20 bunkers e 259 recintos para cães de guarda, o cotidiano passou a ser de brutalidade, medo e incertezas.

Felizmente, o Muro de Berlim começou a ser derrubado na noite de 9 de novembro de 1989. Naquela dia, muitos moradores da cidade se cumprimentarem pela primeira vez. Bares próximos ao muro serviram cerveja gratuitamente. Milhares de pessoas foram para as ruas comemorar, mesmo sem imaginar as cicatrizes psicológicas que surgiriam em razão do longo período de separação da cidade. Dizem que muitos berlinenses ainda hoje sofrem pela sensação de aprisionamento e com a chamada “doença do muro”.

Os efeitos colaterais do totalitarismo também são capazes de provocar sentimentos de alerta e preocupação com o futuro. Em Berlim, exatos 54 anos após a construção do muro, a história é preservada para que injustiças não voltem mais a acontecer.

Muro de Berlim

Se você tiver a chance de visitar a capital alemã, coloque no roteiro dois lugares muito especiais: a East Side Gallery, que expõe 1.316 metros do lado leste do Muro de Berlim com 105 pinturas de artistas do mundo todo; e o memorial que fica na rua Bernauer Strasse, onde é possível ver pedaços do muro de Berlim com corredores de fronteira e torres de observação. Imperdível.