A minha passagem pela China foi curta. Com as 72 horas que tinha disponível na visita por lá (explico neste outro texto o visto de trânsito que utilizei no desembarque em Pequim), o meu maior objetivo era conhecer de perto um dos trechos da mundialmente famosa Muralha da China ou, como muitos preferem, a Grande Muralha.

Relativamente próximos à capital, os trechos de Badaling e Mutianyu são os mais acessíveis, mas com algumas diferenças entre eles: o primeiro está mais preparado para o turismo, possui trem e várias linhas de ônibus, além de trechos restaurados da construção; já o segundo é menos visitado e apresenta até alguns pontos de ruínas da Muralha, em seu estado natural.

Mesmo sozinho, minha ideia desde o início era visitar a Muralha sem pagar por uma excursão turísitca. Queria chegar lá por conta própria. Li em diversos blogs, inclusive no da Adriana Miller, que estes tours são verdadeiros “pega-turistas”, te levam para um dia inteiro de visitas em lojas de souvenirs, museus, vilarejos, mas da Grande Muralha não se tem tempo de ver quase nada.

Por isso, eu precisava descobrir como ir de transporte público até um dos trechos mais próximos e, assim, ficar livre para explorar o quanto quisesse da Muralha.

Escolhi por Badaling justamente por oferecer ônibus direto. Mesmo sendo um dos pontos mais visitados, preciso admitir que me interessava mais conhecer o que tinha sido restaurado da Muralha. Mesmo não sendo 100% original, acho que assim conseguiria ter uma noção melhor de como era a construção no início, quando ali ainda existiam guardiões do território chinês no lugar de visitantes.

Muralha da China

A Grande Muralha em Badaling fica a aproximadamente 45 km de Pequim. Para chegar até lá foi até mais fácil do que eu imaginava. A rede de transporte público da capital chinesa recebeu diversas melhorias nos últimos anos, com novos ônibus, mais frequentes e acessíveis.

Do centro de Pequim, as linhas 877, 880 e 919 partem do terminal localizado atrás da Deshengmen Arrow Tower, uma enorme construção antiga com arquitetura tipicamente chinesa.

Para chegar até lá, utilizei o sistema de metrô da cidade, que é bem moderno e chega aos principais pontos turísticos. Bastou sair da estação Jishuitan e caminhar por cinco minutos até o terminal. Chegando lá, nenhuma dificuldade. Vários ônibus se preparavam para sair com dezenas de turistas, só precisei escolher um deles, pagar 12 yuans e finalmente curtir a viagem.

Até Badaling, o trajeto levou menos de uma hora, seguindo por uma das rodovias que liga Pequim ao interior, sem muito trânsito, mas uma paisagem bem comprometida pela poluição. A vista da janela do ônibus começou a melhorar quando nos aproximamos das montanhas. Em poucos minutos já era possível ver alguns trechos da muralha, bem ao lado da estrada. Primeiros momentos de deslumbramento!

Ao descer do ônibus, tudo o que o visitante precisa fazer é procurar o teleférico que leva até o alto da muralha. Nenhuma complicação, o local é muito bem sinalizado com placas em inglês que indicam inclusive a distância até cada ponto de parada. Por lá, é possível encontrar hotéis, diversas lojas de souvenirs, restaurantes e até um museu da Muralha da China.

Ao utilizar o teleférico, pode-se optar por fazer só a subida e descer caminhando. Cada volta custa 80 yuans, mas acabei optando por um ticket de ida e volta, custando 100 yuans. Além disso, tem o valor do ingresso da própria Muralha, de 40 yuans.

Muralha da China

Apesar dos muitos turistas no local, logo cedo pela manhã, as filas andam bem rápido. Com o teleférico, em poucos minutos já estava no topo, pronto para explorar um dos lugares que mais tinha vontade de conhecer na viagem.

No alto da muralha, os primeiros metros de caminhada são mais complicados pela enorme quantidade de turistas (99% chineses, de todas as idades). Mas basta se afastar um ou dois quilômetros em ambas as direções para se encontrar praticamente sozinho na Muralha.

Mas aqui vai um aviso: não é um passeio simples. Em Badaling, a construção acompanha o sobe e desce das montanhas da região. Isso significa que o visitante precisa encarar subidas e descidas de diversos tamanhos, trechos com rampas deslizantes e milhares e milhares de degraus (alguns com 35 cm de altura).

Como era uma oportunidade única, resolvi encarar. Fiz em torno de dez quilômetros de caminhada, o suficiente para encontrar paisagens incríveis, com torres de observação, passagens secretas e alguns trechos quase desertos. Perfeito para fotografar!

Por diversos momentos, apenas parei e me dei conta do quão longe estava de casa e, automaticamente, da minha zona de conforto. Pensei em todos os lugares que tinha visitado até então, suas particularidades, belezas e contrastes. Não poderia me sentir mais feliz.

Muralha da China

Na volta para Pequim, escolhi o trem, que custa apenas 6 yuans. Ele sai da estação de Badaling a cada hora, mais ou menos. Só é preciso ficar atento aos horários para não esperar muito tempo na estação. Após o início da viagem, em 40 minutos estava de volta em Pequim, na Estação Central Norte que faz ligação com o metrô.

Para quem está em dúvida sobre conhecer a Muralha da China em Badaling ou não, posso dizer que vale sim a viagem. Mesmo com todos os turistas, mesmo com a restauração que fizeram no lugar. Uma experiência para se guardar para o resto da vida.