Nascido no estado do Arizona e morador do Upper East Side, em Nova York, Aaron Jeremy Jacobs era apaixonado por viagens. Sonhava em se aposentar cedo para ter a chance de visitar muitos lugares na companhia da família. Ele já havia embarcado para a Europa apenas com uma mochila nas costas, ensinado inglês no México, além de ter vivido um semestre em Madrid e escalado um vulcão na Grécia.

Aos 27 anos, Jacobs tinha novos planos: viajar em lua de mel com a futura esposa para a África. “Ele amava os animais e queria fazer um safari”, dizia Jeannine McAteer, sua noiva. Jacobs foi um dos 2.753 mortos nos atentados de 11 de setembro de 2001. Estava na torre norte do World Trade Center, onde trabalhava, no momento dos ataques terroristas.

Uma em milhares, a história de Jacobs foi a primeira que conheci assim que entrei no In Memorian, um dos espaços de visitação do Museu Memorial do 11 de Setembro, localizado no sul da ilha de Manhattan, ao lado do novo One World Trade Center.

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Inaugurado no aniversário de dez anos da tragédia, o museu foi construído em honra das vítimas que morreram no prédio e em volta dele, nos aviões que caíram na Pensilvânia e no Pentágono, além das seis vítimas do ataque que aconteceu ao WTC em fevereiro de 1993.

É sem dúvida a parte mais impactante de todo o complexo que ficou conhecido em Nova York como Ground Zero. Um lugar de paz para quem viveu (mesmo que pela TV) aquele dia de terror, de superação para quem perdeu familiares e, sobretudo, de reflexão para todos os visitantes.

Mesmo abarrotado de turistas e suas câmeras fotográficas, ao se deparar com as memórias daquele triste dia, não se vê pessoas sorrindo, conversando ao celular ou falando em voz alta. O ambiente em luz baixa e as paredes e chão frio dão o tom de respeito necessário para se visitar o local.

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Com muita tecnologia para contar cada minuto e detalhe envolvendo o “9/11”, são exibidos no local milhares de objetos das vítimas, destroços enormes das torres gêmeas, homenagens feitas na época pelos nova-iorquinos, fotos icônicas, áudios e vídeos, além de um caminhão do Corpo de Bombeiros e uma ambulância em pedaços. Herois que não estavam nos prédios no momento dos ataques, mas que correram para a morte ao cumprir seu dever em salvar vidas.

Além do museu, na área aberta duas gigantes “piscinas” foram construídas no exato lugar onde ficavam as torres até 2001. Hoje elas trazem o nome de cada uma das vítimas nas bordas e marcam o lugar com quedas d`água ininterruptas.

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Chocante e ao mesmo tempo importante, o museu cumpre seu mais profundo papel em atestar o triunfo da dignidade humana frente ao sofrimento e em afirmar seu compromisso com os valores mais fundamentais da vida humana. Se vale a visita? Cada segundo, para que nunca esqueçamos as consequências mais catastróficas do terrorismo.

Ps.: exceto a foto da bandeirinha norte-americana, nenhuma das imagens que ilustram este texto são de minha autoria. Foram retiradas do site oficial do museu. Durante a visita, decidi por manter a câmera dentro da mochila, o tempo todo desligada.